O Relógio e seu Tic Tac

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O relógio e seu “tic-tac”. Eu passo pela vida e a vida passa por mim. Sem retrocessos, apenas avanços, sem máquina do tempo, sem ter como consertar as falhas, apenas vivendo um dia de cada vez, aproximando-me do dia final. Pode ser amanhã ou daqui a noventa anos, não sei ao certo, só sei que quero viver e fazer viver todos a minha volta.

O relógio passa, marca hora, marca tempo, marca vidas, e vidas são marcadas pelas suas horas, pelo seu tempo e pela sua passagem. Esse “tic-tac” sem volta, esse “tic-tac” sem preocupação, que não pede a você nada, apenas entra e passa. E no fim de tudo, deixa saudade e arrependimento. Saudade do que ficou para trás e arrependimento do que poderia um dia ter acontecido, mas o relógio fez “tic-tac” e você perdeu sua chance.

No dia 02/06 eu cheguei aos meus 30. O relógio começou a tocar um novo “tic-tac” para mim. Finda-se a década dos vinte e abre-se espaço para a década dos trinta. E assim vou vivendo, de década em década, de “tic-tac” em “tic-tac”. Sem saber ao certo quando será meu último “tic” ou meu último “tac”. E do que me arrependo? A lista é enorme, não caberia aqui, mas posso simplificar ou posso simplesmente esquecer, afinal de contas, passou… foi apenas mais um “tic-tac”.         

Meia-noite e um… dia dois de junho de dois mil e dezessete, estava acordado para dar boas-vindas ao meu “tic-tac” dos trinta e para me despedir do já saudoso “tic-tac” dos vinte. Você vai fazer falta, mas hoje, exatamente hoje, você é um “tic-tac” que passou, e entrou para história.

O que espero dos próximos 315.360.000 “tic-tac’s” de mais uma década? Em primeiro lugar, eu espero estar vivo, VIVO! Não apenas existindo, e sim, VIVO! Podendo olhar para meus filhos (que ainda não tenho), amando minha esposa (que ainda não tenho), dirigindo meu carro (que ainda não tenho), escrevendo no meu Mac (que ainda não tenho), no sofá de couro da minha sala (que ainda não tenho), admirando uma parede de livros meus que foram publicados (que ainda não tenho) e percebendo-me como um homem de sorte e abençoado por DEUS. (Dentre todas essas coisas, isso eu tenho. Sou deveras um homem abençoado por DEUS).

Então, que estourem o champanhe (embora eu não beba). Brinde comigo! Vamos comemorar essa passagem, afinal de contas, superei mais uma década, venci alguns “tic-tac’s” e sou um homem mais maduro, mas que ainda tem muito a aprender e tenho certeza que a vida ainda tem muito a me ensinar. Afinal de contas, existem tantos outros “tic-tac’s” esperando por mim.

O que fazer agora? AGORA? Exatamente agora? Dormir, talvez? Já passou da meia-noite, o sono já bateu, já escrevi essa reflexão, já posso dizer que sou um homem de trinta anos. Uau! Trinta anos! Eu me imaginei totalmente diferente nessa idade, acho que quando eu era criança, tinha impressão que as pessoas que tinham trinta anos eram velhas de cabelo grisalho (embora eu tenha parte do cabelo grisalho), hoje já não penso dessa forma.

Eu sou um garotão! Na flor da idade, que ainda vai conhecer pessoas, viver amores, descobrir sentimentos, comer novas comidas, conhecer novas culturas, falar novas línguas, conhecer novos lugares, perder o medo de altura, me apaixonar, publicar um livro, segurar um filho nos braços, levantar para trocar fralda, perder noites de sono por causa do bebê ou para escrever, rir até imitar o grunhe de um porco, fazer guerra de travesseiro, ser reconhecido pelo meu trabalho, amar, amar e amar… afinal de contas, de que valeria todos esses “tic-tac’s” se eu não fosse capaz de amar?

Hoje assino de uma forma diferente, não como Franklin S. Carter… mas, simplesmente, como Franklin Sousa, afinal de contas… esses “tic-tac’s” são meus…

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