Eu vou amar você pra sempre - Franklin S. Carter

Você sabe que eu só tenho cinco aninhos e que ainda não sei escrever, mas pedi ajuda ao papai, para que ele escrevesse tudo que estou falando para você. Hoje de manhã, eu fui ao jardim da mamãe e colhi uma flor, a mais bonita que encontrei lá. Ela era uma rosa branca, achei que ia combinar com a cartinha. Sabe aquele perfume que a mamãe passa em mim e que você gosta? Eu estou usando ele agora e também o passei na cartinha, para Continue lendo

Crianças, vou contar uma história agora, que minha avó contou para mim e a avó dela contou para ela… O Causo do Guaxibondo. Diz uma antiga fábula, que nos tempos bem remotos, antes do mundo ser mundo, antes do homem ser homem, que um marimbondo muito faceiro se apaixonou por uma linda guaxinim, mas os pais da moça não aprovavam essa união, diziam não fazer sentido; onde já se viu uma guaxinim ser casada com um marimbondo? Mas os dois se amavam, e eles amavam-se Continue lendo

Como nascem os cafajestes? - Franklin S. Carter

– Mãe? Era tudo mentida mãe, era tudo mentira. – O que houve minha filha? – O Erick mamãe, ele me traiu. Ah que dor, eu só queria morrer. – Não diga isso minha filha, nenhum homem merece suas lágrimas. – Mamãe, porque ele mudou tanto? Como nascem os cafajestes mamãe? – Minha filha, talvez você não vá gostar de ouvir a verdade. – Como assim? – Eu acredito que parte da culpa dele ter mudado é sua. – Você está defendendo ele mãe? Depois Continue lendo

O Palhaço Camarão - Franklin S. Carter

– Respeitável público! Está começando agora o inigualável, o inimaginável, o incomparável, maior e melhor show da face da terra no Circo Del Castro!!! A plateia vai a loucura com o anúncio do locutor que veste um smoking preto com detalhes em vermelho sangue e uma gravata borboleta de cor púrpura. O locutor não tem muita altura, mas destaca-se ao subir numa especie de palanque muito bem posicionado antes do início do show. A casa está lotada, também pudera, o maior fenômeno da atualidade fará Continue lendo

Amor a Prova - Franklin S. Carter

– Papai, o que é parapepdio? – Parapepdio? – Sim, o que é? – Olha princesa, papai confessa que não sabe do que você está falando. Onde ouviu essa palavra? – A tia “tela falô” na sala essa manhã. – E de que forma ela falou essa palavra? – Ela “dixe que o parapepdio” da escolinha foi pintado de azul. – Ah sim, paralelepípedo. – “Ixo” papai. Foi o que eu “dixe”. – Sim, foi o que você disse. O papai que não soube entender. Continue lendo

Felicidade com Canela - Franklin S. Carter

Todo dia eu acordava pontualmente às cinco e quarenta e cinco da manhã para observar os pássaros. Eles voavam alegres para o pé de mangueira que ficava em frente à minha janela. Eu gostava de os observar bailando no céu, livres, felizes e cantarolando suas belas canções. Quando enfim sossegavam e cada um repousava em seu galho, eu caminhava em direção a cozinha para preparar o café. Ela gostava do dela com canela, engraçado que só me dei conta agora que nunca perguntei o porquê Continue lendo

A Gravata da Princesa - Franklin S. Carter

—  Mas eu quero ir de gravata! —  Mas, minha filha, você não pode ir de gravata, você é uma menina. Além disso, olha no espelho, você está vestida como uma princesa e princesas não usam gravata. —  Mas eu quero ir de gravata. Senão, eu não vou. —  Poliana, obedeça sua mãe! —  Mas ela não quer deixar eu ir de gravata, papai. —  É que meninas não usam gravata, minha filha. —  Usam, sim. A mãe da minha coleguinha usa gravata. —  Tá, Continue lendo

A Bailarina - Franklin S. Carter

– Ei, mocinha, acorda… Tá na hora! – Ai, mãe, só mais cinco minutinhos… – Já faz quinze minutos que você vem pedindo mais cinco minutinhos, Anna Gabriella. – Ai, mãe, tá bom. Já estou levantando. Não precisa falar meu nome todo. Você só me chama assim quando está com raiva. – Também pudera, não é, Anna Gabriella?! Você  já está mega atrasada para o treino e ainda fica dando trabalho. – Ok, mãe! Já me levantei! – Então… já para o banho, mocinha! Temos Continue lendo

Cadeira Vazia - Franklin S. Carter

– Já fazem muitos anos que eu não piso aqui. – É, eu sei disso. Acho que ela ia querer que ficasse com isso. – O que é isso? – São as anotações dela. – Anotações? Ela nunca me disse que fazia anotações. – Como você mesmo disse, Ricardo, já fazem muitos anos que você não pisa aqui. 10 ANOS ANTES – Vamos, mamãe, ou iremos nos atrasar! – Não seja apressado, Ricardo. A festa só começa daqui a uma hora. – Mesmo assim, vamos Continue lendo

A Grande Colheita - Franklin S. Carter

Os tratores se preparavam para o serviço. Havia pelo menos seis deles, de todas as formas, cores e tamanhos. Tinha até um em miniatura que era operado por Daniel, o filho caçula de Seu Eustáquio, dono da Fazenda Repolhos (não me pergunte por que a fazenda tinha esse nome, por mais que eu também tivesse muita curiosidade em saber, nunca cheguei a perguntar). Apesar desse nome, a fazenda produzia milho e trigo. Essa época do ano era muito festejada na região — o tempo da Continue lendo

Final alternativo - Franklin S. Carter

– Afaste-se, eu vou pular! Disse uma voz feminina trêmula e medrosa. Ela tinha treze ou quinze anos, não mais do que isso. Cabelos curtos, um pouco acima dos ombros, a pele de tão branca chegava à mostrar as veias de seu corpo. Estava magra, muito magra, como se não comesse há dias; mesmo estando vestido de uma blusa de frio era possível ver o desenho de suas costelas, seus braços estavam pingando sangue, ela já tinha tentado um método diferente antes, mas o insucesso Continue lendo