O Palhaço Camarão - Franklin S. Carter

67 minutos – Respeitável público! Está começando agora o inigualável, o inimaginável, o incomparável, maior e melhor show da face da terra no Circo Del Castro!!! A plateia vai a loucura com o anúncio do locutor que veste um smoking preto com detalhes em vermelho sangue e uma gravata borboleta de cor púrpura. O locutor não tem muita altura, mas destaca-se ao subir numa especie de palanque muito bem posicionado antes do início do show. A casa está lotada, também pudera, o maior fenômeno Continue lendo

Amor a Prova - Franklin S. Carter

7 minutos – Papai, o que é parapepdio? – Parapepdio? – Sim, o que é? – Olha princesa, papai confessa que não sabe do que você está falando. Onde ouviu essa palavra? – A tia “tela falô” na sala essa manhã. – E de que forma ela falou essa palavra? – Ela “dixe que o parapepdio” da escolinha foi pintado de azul. – Ah sim, paralelepípedo. – “Ixo” papai. Foi o que eu “dixe”. – Sim, foi o que você disse. O papai que Continue lendo

Felicidade com Canela - Franklin S. Carter

4 minutos Todo dia eu acordava pontualmente às cinco e quarenta e cinco da manhã para observar os pássaros. Eles voavam alegres para o pé de mangueira que ficava em frente à minha janela. Eu gostava de os observar bailando no céu, livres, felizes e cantarolando suas belas canções. Quando enfim sossegavam e cada um repousava em seu galho, eu caminhava em direção a cozinha para preparar o café. Ela gostava do dela com canela, engraçado que só me dei conta agora que nunca Continue lendo

A Gravata da Princesa - Franklin S. Carter

5 minutos —  Mas eu quero ir de gravata! —  Mas, minha filha, você não pode ir de gravata, você é uma menina. Além disso, olha no espelho, você está vestida como uma princesa e princesas não usam gravata. —  Mas eu quero ir de gravata. Senão, eu não vou. —  Poliana, obedeça sua mãe! —  Mas ela não quer deixar eu ir de gravata, papai. —  É que meninas não usam gravata, minha filha. —  Usam, sim. A mãe da minha coleguinha usa Continue lendo

A Bailarina - Franklin S. Carter

13 minutos – Ei, mocinha, acorda… Tá na hora! – Ai, mãe, só mais cinco minutinhos… – Já faz quinze minutos que você vem pedindo mais cinco minutinhos, Anna Gabriella. – Ai, mãe, tá bom. Já estou levantando. Não precisa falar meu nome todo. Você só me chama assim quando está com raiva. – Também pudera, não é, Anna Gabriella?! Você  já está mega atrasada para o treino e ainda fica dando trabalho. – Ok, mãe! Já me levantei! – Então… já para o Continue lendo

Cadeira Vazia - Franklin S. Carter

13 minutos – Já fazem muitos anos que eu não piso aqui. – É, eu sei disso. Acho que ela ia querer que ficasse com isso. – O que é isso? – São as anotações dela. – Anotações? Ela nunca me disse que fazia anotações. – Como você mesmo disse, Ricardo, já fazem muitos anos que você não pisa aqui. 10 ANOS ANTES – Vamos, mamãe, ou iremos nos atrasar! – Não seja apressado, Ricardo. A festa só começa daqui a uma hora. – Continue lendo

A Grande Colheita - Franklin S. Carter

20 minutos Os tratores se preparavam para o serviço. Havia pelo menos seis deles, de todas as formas, cores e tamanhos. Tinha até um em miniatura que era operado por Daniel, o filho caçula de Seu Eustáquio, dono da Fazenda Repolhos (não me pergunte por que a fazenda tinha esse nome, por mais que eu também tivesse muita curiosidade em saber, nunca cheguei a perguntar). Apesar desse nome, a fazenda produzia milho e trigo. Essa época do ano era muito festejada na região — Continue lendo

Final alternativo - Franklin S. Carter

6 minutos – Afaste-se, eu vou pular! Disse uma voz feminina trêmula e medrosa. Ela tinha treze ou quinze anos, não mais do que isso. Cabelos curtos, um pouco acima dos ombros, a pele de tão branca chegava à mostrar as veias de seu corpo. Estava magra, muito magra, como se não comesse há dias; mesmo estando vestido de uma blusa de frio era possível ver o desenho de suas costelas, seus braços estavam pingando sangue, ela já tinha tentado um método diferente antes, Continue lendo

Sua Música, Nosso Passado - Franklin S. Carter

2 minutos A velha vitrola tocava na sala, ao som da melodia de “Maksim – Somewhere in Time“, enquanto ela degustava o mais puro néctar que lentamente descia em direção à sua garganta. Ao fundo era possível notar uma lareira acesa, e no seu interior, as últimas fotos, amargas fotos que ela jogou ao fogo na esperança que ele também queimasse e transformasse em cinzas toda saudade que invadia seu peito. Já haviam-se passado cinco anos desde a última vez que ela o tinha Continue lendo

O Passado de Augusta - Franklin S. Carter

5 minutos Brasil, 24 de fevereiro de 1932       Ela não poderia estar mais feliz. O Presidente Getúlio Vargas acabara de aprovar o primeiro código eleitoral, que instituía o voto feminino e criava a Justiça Eleitoral do Brasil. Mas qual era o motivo de tal felicidade para Augusta? Simplesmente porque poderia votar? Não, claro que não! Poder votar era um direito conquistado, sim, mas sua real felicidade tinha nome, não qualquer nome, tinha nome de santo. Jorge estava voltando de umas de suas incursões pelo Continue lendo