Eu já te contei sobre Emanuel?

Tempo de leitura: 15 minutos

– Querida, já está na hora!

– Não posso ficar mais um pouco, mamãe?

– Não, seu avô precisa descansar.

– Amanhã você volta, princesa. O vovô não vai a lugar algum.

– Promete?

– Eu prometo.

12 HORAS DEPOIS

[TOCA O TELEFONE]

– Alô?!

– Senhora Márcia?

– Sim, pois, não?

– Aqui é o Hospital Bio Medical, a senhora é a responsável pelo paciente Antônio Fernandes de Alvarenga?

– S… Si… Sim… So… Sou… Sou eu. Como está… Como está o papai?

– … É melhor a senhora e sua família virem para cá.

[SINAL DE MUDO NO TELEFONE]

– Quem era no telefone, mãe?

– Era do hospital…

– Do hospital? O vovô…

– Precisamos ir!


– Avisou a família?

– Avisei, sim, doutor. Já estão a caminho.

– Como eles reagiram?

– Não tive coragem de entrar em detalhes, só pedi que viessem para cá.

– Você fez bem. Vamos iniciar os procedimentos, quando a família chegar será só questões de trâmites legais, podemos adiantar nossa parte?

– Como quiser, doutor. Vou pegar minhas luvas.

– Avise-me quando terminar.

– Aviso, sim.


– André?

– Sim, meu amor, pode falar… Você está chorando? O que aconteceu?

– É o papai… A Tábata e eu estamos indo para o hospital. Pode nos encontrar lá?

– Claro, querida, vou fechar o escritório e chego lá em alguns minutos. Vou aproveitar e passar na creche pra buscar o Tales e deixá-lo com minha irmã.

– Obrigada, meu amor! Você é meu anjo!

– Por nada, querida. Eu amo você.


– Está tudo pronto, doutor.

– A família já chegou?

– Ainda não, mas creio que não demore muito.

– Bom, vamos aguardar. A papelada já está pronta?

– Está, sim, doutor. O núcleo jurídico a entregou faz uns dez minutos.

– Bom, pelo menos vamos ter adiantado a vida dessa família. Nem quero imaginar pelo que estão passando agora. Avise-me quando eles chegarem.

– Aviso, sim, doutor.


– Aurora? Aurora?

– Já vai, tô indo, sabia que a casa tem campanhia?

– Nossa! O que houve? Por que essa cara? E cadê a Márcia? Você nunca vem aqui sem ela.

– São muitas perguntas, estou sem tempo para responder cada um delas. Pode ficar com o Tales Henrique por um tempo? Preciso ir ao hospital, aconteceu algo.

– O que aconteceu?

– Ainda não sei, pode cuidar dele pra mim?

– Claro que posso, o “Rique” e eu vamos nos divertir muito, não é, titia?

– Obrigada por isso, te devo uma.

– Se eu fosse contar todas as que me deve, sua alma já seria minha.

– Não é hora para piada, Aurora.

– Não foi uma piada.

– Bom, eu tenho que ir. Obrigada por cuidar dele, eu volto assim que puder.

– Tudo bem. Qualquer coisa me liga.

– Tentei te ligar, seu celular está dando fora de área.

– Deve estar descarregado, vou colocar pra carregar. É sério, qualquer coisa, me liga.

– Tudo bem! Eu mando notícias assim que chegar lá.


– Olá, bom dia. Meu nome é Márcia Dias de Alvarenga, sou filha do paciente Antônio Fernandes de Alvarenga, me ligaram do hospital me pedindo para vir correndo.

– Só um instante que vou verificar a informação.

– Mãe? O que tá acontecendo? Você não falou nada comigo dentro do carro.

– Eu não sei, querida, só pediram pra vir por causa do vovô.

– Tomara que ele esteja bem.

– Sim, minha filha, você pode dar um abraço na mamãe?

Enquanto as duas se abraçaram, André procurava por uma vaga no estacionamento do hospital e ensaiava algumas palavras para falar para a esposa e para a filha, caso o pior tenha acontecido. Enquanto dá voltas e voltas no estacionamento, ele se lembra de quando conheceu o sogro: ele havia sido convidado para um almoço em família, assim que chegou no local, ele estava totalmente tímido e para piorar as coisas, Márcia demorou quase quarenta minutos para descer.

Seu Antônio ficou fazendo companhia para o genro, e é claro, aquelas velhas perguntas como: onde se conheceram? Há quanto tempo estão juntos? Quais são os planos para o futuro? Quando pretendem se casar? Essas coisas que todo pai pergunta. Quando por fim Márcia desceu, o sogro deu um tapinha nas costas do genro e disse algo no seu ouvido, algo que André nunca contou para Márcia.

– Alô?

– Onde você está, meu amor?

– Estou aqui do lado de fora, tentando encontrar uma vaga para estacionar.

– Vem rápido, preciso de você.

– Eu vou, sim, meu amor. Já sabe o que aconteceu?

– Ainda não, a moça da recepção está verificando no sistema.

– Achei! Encontrei uma vaga, já estou indo… Onde te encontro?

– Na recepção da ala leste.

– Já estou chegando…


– Quantos anos a menina tem?

– Doze, por quê?

– Por nada. Pode me acompanhar, senhora?

– Podemos esperar um pouco? Meu esposo está chegando. Ele acabou de estacionar o carro.

– Tudo bem. É bom que ele fica com a garotinha.

– Ficar comigo? Eu quero ver o vovô.

– Oh, querida, talvez seja melhor você ficar com o papai. Eu e a mamãe vamos ver seu vovô e assim que der, liberamos sua entrada, tudo bem?

– Márcia?

– Ah, querido, ainda bem que você chegou. Preciso que fique com a Tábata.

– Ficar? Não podemos ir juntos?

– A enfermeira disse que só eu posso entrar nesse primeiro momento. Eu volto assim que puder.

– Podemos ir senhora?

– Sim, podemos.

Márcia deu um beijo no esposo e na filha e enquanto caminhava por aquele corredor, observava os pacientes pelas portas entreabertas. Alguns estavam acordando naquele instante, outros estavam tomando suas medicações ou tendo exames de rotina, outros olhavam atentamente para os televisores e alguns choravam por estarem sozinhos.

Ela lembra de haver pensado que haviam muitas histórias naqueles quartos, com aquelas pessoas. Enquanto caminhavam, entravam e saiam de corredores, ela lembra de haver pensado que não saberia voltar dali sozinha, deveria ter marcado o caminho como a história de “João e Maria” que seu pai à contava para dormir.

E por falar em seu pai, ela recusava-se à pensar no pior. Talvez fosse apenas uma infecção, dizem que é fácil pegar esse tipo de coisa em hospital. Ou talvez ele estivesse de alta, mas não chamariam ela da forma que chamaram, se fosse alta… As lágrimas começavam a se aglomerar nos cantos dos olhos e ela lembra de haver pensado em caixão umas quatro ou cinco vezes, mas em todas elas, falava baixinho que não, ele não tinha morrido, seu pai estava forte e com certeza não era isso.

– Falta muito enfermeira?

– Não, já estamos chegando.

– Essa não parece a ala do meu pai.

– Na verdade, o doutor quer conversar com a senhora antes.

– Conversar? Sobre o quê?

– É melhor a senhora perguntar isso a ele. Chegamos, pode entrar.


– Papai? O vovô morreu?

–  Não! Não, querida, o vovô não morreu. Ele só está um pouco doente, mas logo, logo ele vai estar contando as histórias dele pra você novamente.

– Você promete, papai?

– Sim, querida, eu prometo.

No fundo, Tábata sabia que o pai não poderia prometer aquilo. No fundo ela sabia que seu pai dissera aquilo apenas para que ela se sentisse bem. Mas, ela quis se agarrar àquela esperança enquanto era afagada nos cabelos pelo seu pai. Ela procurava ser forte, pois sabia que a mãe iria desmoronar se soubesse do pior, então ela deveria ser forte por elas duas, mas como ser forte se o seu próprio mundo estava desabando?

– Ele é meu herói, sabia?

– Como?!

– O vovô… Ele é meu herói!

– Ah, sim, seu avô é um ótimo homem; todos gostam dele.

– Teve uma vez que eu estava pendurada na árvore sem conseguir descer, o vovô subiu lá, me abraçou e me trouxe pra baixo.

– Como eu nunca soube disso?

– Pedi para a mamãe não contar, sabia que faria essa cara…

– Essa cara? Qual cara?

– Essa cara de bravo misturado com medo.

– Você é uma graça. Eu tenho uma história legal sobre seu avô também, quer ouvir?

– Claro, papai.


– Senhora Márcia? Sente-se.

– Obrigada, doutor. Como ele está?

– Calma, vamos por partes. Preciso fazer algumas perguntas antes, tudo bem?

– Tudo bem, quando poderei vê-lo?

– Assim que eu terminar as minhas perguntas.

– Tudo bem, doutor.

– Primeiramente, você conhece alguém chamado Emanuel?

– Emanuel… Emanuel?! De cabeça não lembro de ninguém com esse nome, por quê?

– Vamos chegar lá. O seu pai costumava ter problemas de insônia ou sonambulismo?

– Não que eu me lembre… A mamãe até falava que ele dormia como uma pedra.

– Entendo. Seu pai por acaso já conversou com alguém que não estivesse vendo?

– Como assim, doutor?

– Um amigo imaginário ou algo assim?

– Não, nunca. Por que essas perguntas tão estranhas? Quando poderei ver meu pai?

– Já poderá vê-lo, só mais uma pergunta…

– Tudo bem, doutor.

– Você sabe que o caso do seu pai não tinha cura, certo?

– Infelizmente, sim.

– Sabe que o câncer havia se espalhado por todo seu corpo e que tínhamos dado a ele, no máximo, mais três meses de vida, certo?

– Certo, doutor, meu pai… meu pai….

– Calma. Seu pai não morreu. Pelo contrário… Veja, esse é o raio-x tirado ontem à noite um pouco depois de vocês saírem daqui. Vê as partes escuras? É o câncer.

– Todas essas bolas?

– Sim, todas elas. O Câncer havia tomado mais de 90% do corpo do seu pai.

– Meu DEUS. E quanto tempo ele ainda tem de vida?

– Espere um pouco, Dona Márcia, quero te mostrar outra coisa… Veja esse outro raio-x, foi tirado essa manhã.

– Onde estão aquelas bolas?

– Exatamente… Onde estão? No começo, eu pensei que tivesse sido um erro da máquina ou que haviam trocado os laudos e pedi um novo raio-x, que é esse aqui.

– Também não há bolas.

– Exato! Não convencido de que era um milagre, eu pedi mais quatro raio-x e mais quatro exames de sangue, um em cada hora que são esse, esse, esse e esse.

– E nenhum deles tem as bolas?

– Não, nenhum. Quando fui ver seu pai essa manhã ele estava de pé, conversando com os outros pacientes e repetia sem parar que Emanuel o havia curado. Ele disse que os dois haviam passado a noite toda conversando, de fato, os outros pacientes relataram que o seu pai passou a noite inteira falando, mas pensaram que ele estava delirando ou fosse sonâmbulo e não quiseram acordá-lo.

– Meu pai nunca foi sonâmbulo.

– Por isso fiz essas perguntas. Eu pedi ao setor responsável uma cópia das câmeras de segurança e posso afirmar que ninguém entrou naquele quarto, a não ser as enfermeiras, então só há uma explicação para isso.

– E qual é, doutor?

– Seu pai estava conversando com Deus.

– Com Deus?

– Por que o espanto? Você não tem fé?

– Eu tenho. Mas, eu pensei que todos os médicos fossem ateus.

– Eu não sou ateu e conheço muitos médicos que também não são. É impossível presenciar eventos assim e não acreditar em DEUS.

– E eu posso ver meu pai agora?

– Sim, pode. Basta assinar esse documento aqui.

– Que documento é esse, doutor?

– Ah, é só um recibo, seu pai está de alta, só preciso que assine que recebeu as coisas dele.

– Sério? De alta? Mas ele não tinha que ficar em observação ou algo assim?

– Eu até pensei em deixá-lo em observação, mas como você mesma viu, é como se seu pai nunca tivesse tido câncer.

– Obrigada, doutor.

– Não precisa me agradecer, eu não fiz nada. Agradeça a Deus ou a Emanuel, seja lá quem Ele seja.

– Eu tenho certeza que fez o seu melhor e sou muito grata por isso.

– Por nada! Agora vá ver seu pai, ele está te esperando.

– Só uma pergunta, doutor.

– Pois não?

– Como eu saio do seu consultório? Demos tantas voltas que eu me perdi.

– Vem, eu lhe acompanho.


– Só um instantinho, querida. Alô? Aurora? (Oi, André) Até que enfim atendeu esse celular.  (Desculpa, Henrique e eu estávamos assistindo a um filme). Já cheguei aqui, estou com a Tábata. Como está o Tales? (Sabe que não gosto desse nome, mas o Henrique está bem. Acabamos de tomar sorvete). Ah sim, não vai encher meu filho com besteiras, ele precisa comer comida de verdade. (Não enche, André. Como está seu sogro?) Não sabemos, Tábata e eu não podemos entrar, estamos esperando notícias. Eu te mantenho informada.

– Manda um beijo pra titia.

– A Tábata está te mandando um beijo. (Manda outro pra ela) – Ela te mandou outro querida. – Aurora, assim que sair daqui eu passo na sua casa. (Relaxa, pode demorar o tempo que precisar, o Rique tá quietinho aqui).

– Tudo bem, mana, te amo. (Também te amo)!

– Papai pede pra…

– Ela já desligou, filha. O que queria?

– Queria ver se a titia deixava eu passar o fim de semana com o Bredy.

– Com o Bredy? Você não soube, né?

– Soube o que papai?

– Olhe, lá está a mamãe e…

– Vovô… Vovô…

Tábata saiu correndo desesperada ao encontro do avô que mesmo com muito esforço, a pegou no colo e a abraçou bem forte. Era claramente perceptível o sorriso no rosto de Márcia e o espanto de André que temia pelo pior. Enquanto estavam no carro a caminho da casa de Aurora, o sogro repetia por diversas vezes que havia sido curado por Emanuel, o que deixava André ainda mais intrigado. Mais tarde, naquela noite, enquanto ambos se reuniam a mesa para jantarem, André se lembrou de onde escutara aquele nome: Emanuel…

Como se houvessem combinado, ambos se olharam, como se de alguma forma, enquanto ceavam, seus olhos tivessem sido abertos e dos mais novos até os mais velhos, todos puderem ver vestido com vestes brancas, aquele que tinha muitos nomes, em pé e ao lado do seu Antônio. Aquele de vestes brancas era Emanuel, Yeshua, Jesus Cristo, O Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi, O REI dos Reis e SENHOR dos Senhores.

Daquele dia em diante, a vida e a rotina daquela família mudou por completo. E eu mesmo que vos escrevo fui salvo por intermédio da vida deles. Eu também conheci Emanuel um dia, às vezes não compreendemos os mistérios de DEUS, mas ELE usou a doença do seu Antônio para que outras vidas fossem salvas através do testemunho dele, e como eu sempre digo… Você também pode conhecer e encontrar Emanuel, basta convidá-lo para entrar na sua casa, tenho certeza que ELE terá o maior prazer do mundo em conversar horas e horas com você.

Aproveite para fazer isso agora, enquanto lê esse livro… Feche os teus olhos e diga de forma simples e serena… Emanuel, fala comigo?!


MÚSICA TEMA: JESUS, FILHO DE DEUS – FERNANDINHO

Deixe seu comentário