A Bicicleta Vermelha

Tempo de leitura: 20 minutos

– Feliz aniversário, meu amor!

– Ah, Otávio! Você se lembrou?! Mesmo após todos esses anos, você ainda se lembra e continua me surpreendendo.

– Como eu poderia esquecer? Você é o amor da minha vida!

– Você também é o amor da minha vida, Otávio. Meu único e verdadeiro amor.

– Preparada para a surpresa?

– Ainda tem mais surpresas?

– Sim, são mais duas surpresas, uma agora, e a melhor de todas, no final. Afinal, só se faz cinquenta anos de casado uma vez na vida.

– Sabe de uma coisa… você continua tão galante como no dia que te conheci.

– Sobre esse dia, eu tenho uma surpresa. Apenas confie em mim e feche os olhos, e não abra até eu falar, tudo bem?

– Ai… está me deixando ansiosa, mas tudo bem. Eu confio em você, meu amor.


Os dois caminharam pela casa passando ao lado da cozinha onde Ana Clara sentiu um delicioso cheiro de ovos mexidos na manteiga e bacon, além do café moído e passado na hora. Ela quis sentar para comer, estava acordando naquele momento, mas seu amado continuou guiando-a pela casa. Quando ela percebeu que estavam indo em direção à área que ficava nos fundos, ela desceu os três degraus com certa dificuldade devido à idade e às constantes dores nas pernas que sentia, mas seu amado esposo a ajudou nesse processo.

– Tudo bem… Já pode abrir os olhos!

Ana Clara abriu os olhos e não acreditava no que via. Num primeiro instante ela pensou que fosse uma réplica, mas ao olhar mais de perto, ela viu que era a mesma bicicleta vermelha que ele usava no dia em que eles se conheceram e se apaixonaram. Ela não conseguiu compreender como ele havia encontrado aquela bicicleta vermelha que há muitos anos se perdera. Otávio teve que se desfazer da bicicleta no início do casamento para ajudar a comparar móveis para casa. Mesmo com o coração apertado por terem que vender a tal bicicleta vermelha, ambos sabiam que era o melhor a se fazer naquele momento.


– Como? – perguntou Ana Clara, sem entender.

– É uma longa história, meu amor. Mas eu sabia que era o melhor presente para te dar nos nossos cinquenta anos de casados.

– Você acertou em cheio, meu amor. Eu não sei o que dizer. Você continua carinhoso e romântico comigo mesmo após todos esses anos.

– E você continua sendo a mesma princesa que conheci e me apaixonei. Vamos dar uma volta?

– Hã?! Uma volta?!…

– Sim. Você não acha que eu reformei a bicicleta apenas para que olhássemos para ela, não é mesmo?

– Mas… Otávio, olhe para nós. Já não somos os mesmos jovens de vinte anos, somos dois idosos. O que vão pensar quando nos virem por aí montados numa bicicleta antiga?

– Vão pensar: – Que casal adorável de velhinhos, mesmo idosos eles ainda passeiam juntos.

– Você não existe, Otávio.

– Então… minha princesa e amada esposa, me concede a honra de um passeio nessa carruagem real?

– É claro que sim, milorde.


50 ANOS ANTES…

– Vamos logo, Otávio, ou iremos chegar atrasados.

– Calma , você passou mais de duas horas penteando esse cabelo e agora quer me apressar.

– Não ouse falar do meu cabelo, Otávio, ou eu serei obrigado a bater em você.

– Em primeiro lugar, você não conseguiria me bater, e em segundo lugar, eu sou seu irmão mais velho e você me deve respeito.

– Tudo bem, então pare de falar demais e vista logo essa roupa.


Otávio e seu irmão estavam ansiosos por poderem participar do baile de formatura do colegial. Essa seria uma oportunidade única na vida dos dois, e, no ano seguinte, Otávio iria se alistar, tornando assim o convívio entre irmãos praticamente escasso. Otávio era o mais velho de uma família de cinco irmãos. Sua mãe, uma senhora de bom coração, fazia doces e bolos para ajudar na renda da casa, enquanto seu pai era um oficial do exército brasileiro.

Nem preciso falar que Otávio e, bem como seus irmãos, foram criados num regime muito severo. Os dois sequer se lembram de terem recebido um abraço do pai em suas vidas e também não se recordam de gestos afetuosos de seu pai para com sua mãe. E para falar a verdade, eles nem se lembram de chamar o seu pai realmente de pai. Tudo era respondido a ele com um “Sim, senhor! ou “Não, senhor!”.

Mas a falta de carinho do pai fora devidamente compensada pela mãe que era uma senhora muito afetuosa. Ela sempre fazia os gostos dos filhos e muitas vezes os defendia da fúria de seu esposo. Ela não poderia dizer que era feliz por estar casada com o Coronel Geraldo, mas amava seus filhos mais do que a própria vida e estes lhe compensavam todo o martírio de viver ao lado do homem que jamais amou. Mas, Dona Tereza sequer teve a opção de casar-se por amor. Ela nasceu numa época onde os casamentos eram arranjados e fora obrigada à casar-se com um primo pelo qual se quer tinha amizade, quanto mais amor. Devido à relação meio incestuosa, dois de seus filhos nasceram com problemas auditivos e um com problemas mentais. Os únicos não afetados pelo gene foram Otávio que é o mais velho e Jorge, o caçula.


– Já é hora de sair desse banheiro!

– Ora, não me apresse!

– O baile já deve ter começado, já deve estar todos se divertindo e o pior, a Augusta pode estar nos braços de outro.

– Se for para a Augusta ser sua, ela será, meu caro irmão. E se ela estiver nos braços de outro, o que queres com essa mulher?

– Mas você sabe que eu a amo, Otávio.

– É a ela que você deve dizer isso, não a mim.

– Mas sabes que não tenho coragem, meu irmão. Como eu chegaria a ela e falaria: “eu te amo desde que nos conhecemos”?

– É uma boa maneira de começar.

– Sem essa, Otávio! Se eu dissesse isso, ela iria rir da minha cara e me deixar falando sozinho.

– Você nunca vai saber se não tentar. Além disso, o que tem a perder?

– Ela, eu não quero perdê-la.

– Então faça isso antes que chegue lá e ela esteja nos braços de outro.

– Mas você disse…

– Esqueça o que eu disse. Hoje é o seu grande dia, vista sua melhor roupa, coloque uma colônia e dê uma arrumada nesse cabelo; depois vá dizer a  que você a ama!

– Ei, o que tem de errado com o meu cabelo?

– Jorge! – Disse Otávio com olhos fitos no irmão.

– Tudo bem, já entendi. Agora podemos ir ou a donzela ainda precisa se arrumar mais?

– Às vezes você tem sorte de ser meu irmão.


Os dois partiram em direção ao centro da cidade, montados na bicicleta vermelha que Otávio tinha comparado com muito sacrifício engraxando os sapatos dos oficiais sob o comando de seu pai. Ele fazia isso todos os dias. Acordava às cinco da manhã junto com seu pai, tomava um breve café da manhã e acompanhava o coronel no serviço; engraxava os sapatos de alguns oficiais e voltava para casa perto da hora do almoço, mas não sem antes passar na venda e gastar metade do que ganhou em carne, verdura e frutas — era exigência do seu pai. Por isso, comparar a tão sonhada bicicleta levou no mínimo o dobro do tempo que levaria, caso ele pudesse ficar com todo dinheiro que ganhava.


– Parecemos duas maricas montados nessa bicicleta.

– A cidade toda sabe que somos irmãos.

– Mesmo assim, não é certo dois homens andarem assim tão juntos.

– Se quiser, pode ir a pé.

– Não seja grosso, Otávio. Só estou falando que pega mal dois homens serem vistos assim tão juntos. Além disso, não quero que a  Augusta quando me vir pense que sou maricas.

– Ela não vai pensar que você é maricas porque te viu montado na garupa da minha bicicleta. Ela pode pensar que é maricas por causa desse cabelo.

– Eu já disse para não falar do meu cabelo, Otávio. Você está é com inveja porque não pode fazer um topete tão bonito quanto o meu.

– O Coronel deve ter amolecido mesmo. Na minha época, se eu sonhasse em ter um cabelo assim, ele o arrancaria no canivete. Bom, chegamos…

– Até que enfim chegamos, você anda muito devagar. Na próxima vez, eu pedalo, e você, vem na garupa.

– Tudo bem, quando você comparar sua própria bicicleta podemos fazer assim. Vamos nos encontrar à meia-noite, na praça da igreja. Não se atrase! Se você se atrasar, vai voltar andando para casa, entendeu?

– Tudo bem, entendi. Não vou me atrasar. Otávio, quanto você tem?

– Uns cem, por quê?

– Pode me arrumar vinte?

– A mamãe já não te deu dinheiro?

– Ela me deu míseros dez. Não dá para nada.

– Tudo bem, pegue aqui esses vinte, mas vou colocar na sua conta.

– Tudo bem, quando eu começar a trabalhar, te pago tudo.

– Pelos meus cálculos você já me deve o salário de três anos inteiros de trabalho.

– Três anos inteiros?

– Isso sem os juros, com juros vai para quatro anos.

– Preciso começar a trabalhar logo. Mas não hoje… me deseje sorte porque vou agora mesmo conversar com a Augusta .

– Boa sorte, meu irmão! Com esse cabelo vai precisar mesmo de muita sorte.

– O que você disse?

– Eu disse que a  Augusta será uma mulher de sorte por ter meu irmão como namorado.

– Ah bom, até mais!

– Até mais!


Jorge partiu feliz da vida com seus trinta cruzeiros no bolso, autoestima no coração e com um cabelo impecável como de brilhantina, digno de Elvis Presley. Ao avistar Augusta de longe, seu coração já acelerou de uma forma que ele mesmo não conseguia explicar, e para sua alegria, ela estava sozinha. Não totalmente sozinha, estava com algumas amigas, mas não na companhia de algum rapaz. Ele respirou fundo, arrumou a jaqueta de couro que vestia, olhou seu cabelo no espelho de um veículo estacionado ali perto, tomou coragem, e foi em direção à ela.

Enquanto isso, não muito longe dali, Otávio estava prendendo sua bicicleta vermelha num poste para que pudesse se divertir. Ele estava agachado trancando o cadeado e não percebeu a aproximação de alguém. Falando baixinho como o irmão tinha sorte de ter encontrado o amor da sua vida, e se perguntando se um dia isso aconteceria com ele também, estava tão preso a esses questionamentos que só escutou quando ela falou com ele pela terceira vez.

– Ei? É com você que estou falando!

Ele levantou a cabeça e se deu conta que tinha uma linda moça ali parada bem na sua frente. Ela era perfeita, tinha cabelos loiros vivos e olhos de um azul tão celeste que o deixou completamente paralisado. Ele nem sequer tinha percebido que ela estava ali, como aquilo havia acontecido? Otávio sempre se gabava de ser observador e de nunca deixar passar sequer um detalhe, e naquele momento, ele nem percebera que não estava sozinho enquanto prendia sua bicicleta. Ele estava perdido novamente em seus pensamentos e admirando aquela figura divina que estava na sua frente, quando ela o interrompeu.

– Está tudo bem com você?

– Oi… quê?! Ah… está sim, e com você?

– Eu estou bem, obrigada por perguntar.

– Por nada, me chamo Otávio, e você, como se chama?

– Me chamo Ana Clara, mas meus amigos me chamam de Clarinha. Muito parazer, Otávio. – Ela estendeu a mão para ele.

– O prazer é todo meu, senhorita — disse isso beijando-lhe a mão.

– Você ainda não me respondeu, podemos?

– Podemos?! Podemos o quê?

– Dar uma volta na sua bicicleta… eu perguntei isso duas vezes assim que cheguei aqui.

– Você quer dar uma volta na minha bicicleta?

– Sim! Vermelho é minha cor favorita e eu amo bicicletas. Por isso estou aqui, mas eu não sei andar. Tem que ser na garupa.

– Ah, claro. Suba… e para onde quer ir?

– Meus pais compararam uma fazenda aqui perto, se você não se importar, pode me levar até lá.

– Tudo bem, eu a levo sim. Mas você veio sozinha? Não estava acompanhada?

– Na verdade, estava sim. Mas não estou mais.

– E seu namorado não vai ficar com ciúmes?

– Namorado? Eu não tenho namorado.

– Mas você disse que estava acompanhada.

– Sim, estava.

– Pois então…

– Era por minha prima, . Estávamos juntas. Mas aí chegou um cara lá com o cabelo engraçado e com um buquê de flores na mão, ele ajoelhou, disse que a amava e a pediu em namoro. Ela gritou, chorou, gritou novamente, deu uns cinco pulinhos, sorriu, chorou, gritou de novo, levantou o rapaz do chão e o beijou. Dali para frente acabei ficando sozinha. Foi quando vi você e pensei: “Que rapaz bonito! Vou lá me apresentar”, e aqui estamos.

– Uau, é uma grande história!

– Cidadezinha maluca essa… onde já se viu o rapaz falar à moça que a ama sem nem sequer namorar?!

– “Alguns amores nascem do acaso, da troca de olhares, do palpitar dos corações, da brisa que sopra em direção aos seus rostos, do arrepio frio na barriga. Alguns amores nascem quando um se sente completamente perdido e entregue ao outro, como se suas almas saíssem de seus corpos e bailassem numa sinfonia celestial, sem se importarem se aquele será o primeiro ou o último momento juntos. Alguns amores não são explicados, eles simplesmente acontecem…“.

– Que lindo… Você tirou isso da sua cabeça?

– Não, na verdade é de um conto que li. Chama-se “O Baile de Guárpade’s”, do autor Franklin S. Carter.

– É algo muito belo, eu poderia escutar isso para sempre.

– E eu poderia falar para sempre no seu ouvido essas e outras palavras tão fortes quanto. Porque é assim que vejo o amor, como o cantar de pássaros logo pela manhã ou como lindos vaga-lumes pontilhando o céu escuro, ou ainda como o nascer do sol no horizonte. Eu vejo o amor como o delicioso doce do mel e como o aroma suave de uma rosa ao desabrochar. Eu vejo o amor em seus olhos, na sua pele, no seu sorriso, nos seus cabelos, enfim… eu vejo o amor em você.

– Isso foi ainda mais lindo. Outro texto de Franklin S. Carter?

– Não… esse foi do meu coração para o seu coração.


Os dois se beijaram naquele momento, e após terminarem o beijo, ficaram se olhando por uns cinco minutos, sem dizerem uma só palavra. Apenas contemplando um ao outro enquanto a mão dele afagava os cabelos dela e a mão dela roçava em seu rosto, contornando-o num loop infinito. Esse era o início de um amor verdadeiro, um amor que venceria muitas e muitas barreiras. Clarinha e Otávio não se desgrudaram mais desde então, no princípio o pai da moça não queria aceitar a relação, mas quando soube que Otávio era filho do Coronel Geraldo, tudo mudou de figura e ele passou a fazer muito gosto dos dois juntos.

01 de maio de 2016

Clarinha e Otávio nunca esqueceram aquela data: primeiro de maio de 1966. O ano em que conheceram o amor verdadeiro graças à uma bicicleta vermelha. Otávio por muitas vezes se perguntou durante muitos anos se ainda assim teria conhecido Clarinha, caso tivesse comparado uma bicicleta azul ou marrom; se ele não fosse obrigado a fazer comparas com metade do que ganhava e tivesse comparado uma bicicleta mais cedo, se ele e o irmão não tivessem se atrasado para irem ao baile naquele dia, se ele não tivesse emprestado os vinte cruzeiros ao irmão para que esse pudesse comparar o buquê de flores ou se não tivesse o encorajado a falar de seu amor para Augusta. Ele se perguntou durante todos esses anos, se apenas um desses eventos não tivessem ocorrido, será que ainda assim ele conheceria Ana Clara e se casaria com ela?

Talvez ele, de fato, nunca tenha resposta à essa pergunta. O que ele sabe é que ele ama Clarinha cada dia mais desde o momento em que se conheceram e que ela é sem dúvida o amor da sua vida. O que vinte cruzeiros e uma bicicleta vermelha podem fazer a uma pessoa, hein?! Ele ainda sorri quando se questiona sobre isso. Por isso sabia que não haveria presente melhor para dar à sua amada esposa nas bodas de ouro do que a bicicleta vermelha que foi a pivô de toda essa história de amor. Otávio demorou uns dois anos para achar a tal bicicleta vermelha e só conseguiu depois que viu um anúncio no site OLX. Após comprá-la, ele a manteve escondida na casa do filho que o ajudou no processo de restauração e também teve sua nora e neta como cúmplices. Elas distraíam Clarinha sempre que os dois iam visitar o filho. Visitas que se tornaram muito constantes e que fizeram Clarinha desconfiar que houvesse algo de errado com o casamento do filho, já que ela tinha que ficar com a nora e a neta, e Otávio estava sempre na garagem com o filho.


– Você ainda sabe guiar uma bicicleta como ninguém, Otávio.

– Confesso que tive algumas aulas com o Heitor.

– Então era por isso que sempre íamos à casa dele?

– Isso! E também para restaurarmos a bicicleta.

– Nossa… e eu pensando que ele e a esposa estavam se divorciando. Você sabe… depois do que aconteceu.

– Não, eles estão bem. Pelo menos na medida do possível, a Sara enche a vida deles de alegria. Aquela menina é muito esperta para a idade dela, com apenas cinco anos ela faz coisas que deixam os pais de cabelo em pé.

– Sim, ela é esperta igual a vovó.

– Ou igual ao vovô.

– Sim, esperta igual a vovó Maura, vovó Clarinha e Vovô Otávio.

– Agora você disse tudo, minha amada. Que tal a última surpresa?

– Não sei se meu coração aguenta mais uma surpresa.

– Claro que aguenta, seu coração aguenta muita coisa ainda.

– Ah, Otávio, eu não sei o que faria da minha vida sem você.

– E eu menos ainda. Você coloriu minha vida com sua alegria. Vou guiar a carruagem real para casa. Há uma surpresa para você lá.

Otávio guiava a bicicleta vermelha de volta para casa e acenava para os vizinhos conforme passava por eles. Clarinha dava um largo sorriso sempre que passava por esses vizinhos também. Quando já se aproximavam de casa, ela desconfiara qual seria a próxima surpresa, pois reconhecera o carro do filho estacionado em sua garagem.

– Eu não sei ainda qual é a última surpresa, mas já sei que vou gostar. Mesmo que tenhamos ido visitar muitas vezes o  nos últimos tempos, sempre amo reencontrar meu filho. Era essa a surpresa, Otávio?

– Vem ver!

Os dois desmontaram da bicicleta e a cena a seguir deixou Clarinha completamente em prantos. Lágrimas de alegria rolavam de sua face e ela sequer podia descrever o quanto aquilo a deixava feliz. A emoção foi tanta que tiveram que trazer um copo de água para ela.

– Vovó? O médico me liberou para visitar a senhora e o Vovô, mas tenho que voltar hoje à tarde.

–  o garotinho da vovó. Que bom que você veio. A vovó estava morrendo de saudade. Da última vez que a vovó foi te visitar, você estava dormindo.

– Eu sei, vovó, a enfermeira me contou.

– Heitor, Nicole, … Muito obrigado por isso. Otávio, essa foi a melhor surpresa de todas.

– Vovó, você gostou da bicicleta vermelha? Fomos eu,  e Papai ajudamos o vovô achar para senhora.

– Eu amei, meu filho. Vovó amou a bicicleta. Muito obrigada!

As bodas de ouro de Clarinha e Otávio foram comemoradas durante todo aquele dia. A família almoçou reunida, todos tomaram o chá da tarde e foram juntos ao hospital onde  fazia tratamento contra o câncer. Clarinha ficou emocionada durante todo o dia, mas o momento mais intenso foi quando teve que se despedir do netinho que apesar da pouca idade era um grande guerreiro. Era ele quem dava forças para a família para enfrentar toda aquela situação. Na hora da despedida, ele deu um abraço caloroso em Carlinhos, sua irmãzinha e pediu para que ela cuidasse bem da mamãe e do papai até ele voltar. Fez o vovô Otávio prometer que ensinaria ele a andar na bicicleta vermelha quando saísse do hospital e para a vovó Clarinha, ele falou algo especial.

– Vovó, eu me diverti muito hoje. Obrigado por fazer chá com biscoitos para mim, a senhora sabe que eu amo. Eu vou ter que voltar agora, mas espero ir ao aniversário de vocês do ano que vem de novo, até lá o vovô vai ter me ensinado a andar na bicicleta vermelha e eu vou dar uma volta com a senhora e com a Sara. Vovó, eu tenho que entrar, mas peço que, por favor, a senhora não se esqueça de que… Eu vou amar você para sempre.

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