90 Dias

90 DIAS - Franklin S. Carter

PRÓLOGO
QUANTO TEMPO É NECESSÁRIO PARA SE VIVER UM GRANDE AMOR?

Quanto tempo é necessário para se viver um grande amor? Essa era a pergunta que todos os dias martelava em minha mente, seria realmente possível amar uma pessoa em apenas 90 dias? Seria possível que esse amor fosse forte o suficiente para romper todas as barreiras que se mostrassem no caminho? Ou seria apenas uma paixão passageira, sem grandes proporções, sem significado? Eu não sabia a resposta, mas sabia que era preciso procurá-las, e eu iria até o fim para obter essa resposta.         

Até hoje não sei explicar ao certo porque ela me marcou tanto, talvez seja o jeito que ela me olhava fazendo com que eu me sentisse amado e especial, ou talvez eu gostasse de ver ela desviando o olhar quando se sentia pressionada, quando eu tocava sua pele, ela fechava lentamente os olhos e se deleitava no meu toque, como se ela estivesse desejando que aquele segundo mágico não passasse.       

Não sei se alguém viveu um amor tão intenso como eu viver, tão forte como o meu. Gosto de pensar que ela viu em mim algo que nunca havia achado em homem algum, pois eu vi nela algo que nenhuma mulher nesse mundo foi capaz de demonstrar, seu olhar era tão puro e meigo, ela se perdia em seus pensamentos e eu viajava nos seus olhares tentando imaginar o que ela estaria pensando.

Samara me ensinou que o amor verdadeiro ainda existe, ela me fez resgatar a fé nesse sentimento tão puro, coloriu minha vida, me trouxe esperança e vontade de lutar. Lutar pelos meus sonhos, pelos meus objetivos, lutar por ela. Talvez o propósito desses 90 dias era fazer com que eu me tornasse uma pessoa melhor, ou talvez eu precisasse conhecer Samara para mostrar a ela um mundo novo, fazer com que ela se sentisse realmente amada, desejada, cobiçada, querida. Acredito que esses 90 dias ensinaram coisas boas a nós dois e deixou em nós marcas que tempo nenhum poderá apagar.           

Já se passaram 06 anos desde que eu e Samara trocamos o nosso último beijo, mas eu ainda sinto o gosto de seus lábios. Ainda vejo teus olhos olhando pra mim, eu nunca deixei de tê-la por perto. Escrevi uma carta por dia desde que nos separamos, as vezes feliz, as vezes em prantos, acreditando que um dia ela leria todas essas cartas emocionada, quem sabe com a mesma expressão que eu tinha quando as escrevi.    

Eu mantive Samara viva em meu coração, guardei fotos, vídeos, escrevi cartas, compus canções, assistia filmes que me faziam lembrar dela, ouvia músicas que fizeram parte de nossa história, eu de alguma forma perpetuei aqueles 90 dias. Mas o que me incomodava era saber se esses 90 dias haviam significado algo para ela. Será que eu estava vivendo um amor platônico? Ou será que Samara também guardava em seu peito um sentimento por mim?

Essa era mais uma pergunta que precisava de resposta? Mas como obtê-la? Eu havia perdido totalmente o contato com Samara, e por mais que eu a procurasse, sempre existia alguém tentando nos separar. Eu precisava saber se ela ainda me amava? Se ela sonhava comigo? Se queria meu abraço? Se sentia falta do meu toque? Eu precisava saber notícias dela.

Estava decidido a encontrar Samara, nem que fosse apenas para olhar nos teus olhos uma última vez e dizer a ela tudo que estava entalado nos últimos 06 anos. Nem que fosse pra fazer a simples pergunta a ela: Quanto tempo é necessário para se viver um grande amor? Por mais que eu não saiba a resposta dessa pergunta, uma coisa eu sei, eu tive apenas… 90 Dias.

CAPÍTULO 01
AS MESMAS LEMBRANÇAS

Todo o dia ao acordar eu simplesmente abria os olhos e continuava ali, retrocedendo o tempo em minha mente até chegar ao ano de 2007, no auge dos meus 20 anos, passando por uma série de transformações, entre elas a  transição do adolescente irresponsável, para o adulto que dali para frente tinha  que começar a assumir seus próprios atos e responsabilidades. Pensando como o  tempo havia passado e eu parecia estar preso aquele Inverno de 2007, aquele período do ano era muito agradável, apesar do frio castigar um pouco, mas em  suma era mais fácil se embrulhar em algumas cobertas e tomar chocolate quente  para se manter aquecido, do que passar horas na frente de um ventilador ou ar  condicionado para tentar escapar do calor. Apesar de estar no capital do país, e  estarmos bem afastados da região sul do Brasil, o clima de Brasília nessa época  do ano era bem intenso. Fortes trovoadas num céu cinzento assustavam até  mesmo os mais idosos e vividos, tinha dias que parecia que o céu inteiro iria  desabar, um frio gélido congelava cada parte do corpo e pareciam que os agasalhos não eram suficientes para combater aquele frio. Num lugar onde havia  pouco para se ver ou fazer até em dias ensolarados, com a chuva praticamente esgotavam-se todas as opções possíveis de lazer.

Apesar de ser projetada pelas  mãos de um mestre, Brasília contava com poucas paisagens naturais da grandeza  e perfeição de DEUS. Não que ela fosse apenas um amontoado de concreto, mas  com exceção do parque da cidade e da água mineral, havia pouquíssimos lugares  onde realmente era possível apreciar o verde do campo, o canto dos pássaros e o  brilho da lua. Ao me lembrar desse tempo, posso até sentir o frio no meu corpo.

Mas confesso que daria tudo que possuo para poder ficar ali com ela na chuva,  parados, apenas contemplando um ao outro enquanto as gotas geladas de chuvas  escorriam pelo nosso rosto, vendo o cabelo dela se molhar e grudar em sua face,  enquanto ela batia queixo e tremia levemente os lábios, embora estivesse  embrulhada com meu blazer, no fundo eu sabia que ela estava com frio, mas por  mais que eu quisesse tira-la dali, ela não queria sair, estava satisfeita em poder
estar ali comigo e eu sentia-me honrado de poder estar ali com ela, apenas nos  olhando.

Nada era dito nesses momentos que estávamos juntos, palavras não eram necessárias. Comunicávamos-nos apenas com olhar, alguns gestos talvez,  mas podíamos sentir um ao outro mesmo quando não estávamos juntos, o que  sentimos um pelo outro foi puro, único e verdadeiro e… Certamente eu nunca irei  esquecer seu rosto, seu jeito e seu nome.

Samara havia nascido no interior de  Goiás, e há pouco tempo havia chegado a Brasília. Sua mãe havia se divorciado  de seu pai que era um pequeno fazendeiro e sobrevivia da criação de gado de  corte. Após a separação ela tinha se mudado para Brasília a fim de ficar perto de  algumas irmãs que aqui residiam. Ela se mudou com Samara e seu irmão Lucas, a  princípio para uma casa pequena localizada na rua de cima de onde eu morava  com a minha família. Embora tenha morado tão perto, eu não conheci Samara  nessa época, fiquei até chocado quando soube que durante algum tempo fomos vizinhos sem ao menos nunca termos visto um ao outro. Talvez tenha sido o  destino, mas eu prefiro acreditar que foi o próprio DEUS que estava começando a  traçar nossos caminhos e escrever a nossa história, essa linda história de amor  que quero compartilhar com o mundo, para que outros que estejam passando por  essa mesma situação continuem crendo que o amor existe e que sem dúvida não  importa o tempo que você tenha, ele pode ser intenso.

Após um longo período de  lembranças e reflexões, finalmente volto para mim. Para minha vida cotidiana, é hora de me tomar ligar a televisão e o DVD para escutar algumas músicas enquanto tomo banho e faço a barba, ao ouvir o barulho da água caindo no azulejo  do banheiro sou novamente tomado pelas lembranças da chuva caindo no telhado  da nossa casa e escorrendo pela janela embaçada pelo frio. Ao contrário de  quando eu acordo essas lembranças desaparecem quando desligo o chuveiro e  vou em direção a cozinha para preparar meu almoço.

Agora morando só e com 26 anos, eu sentia muita falta do ano de 2007, principalmente pelo fato de antes ter  minha roupa cheirosa e passada, as refeições sempre prontas e quentinhas, poder  chegar da escola e ter com quem conversar compartilhar os sonhos as frustrações, os problemas cotidianos. Mas nessa época eu não pensava nisso, a única preocupação de minha cabeça era crescer logo e poder sair de casa “Viver a minha Vida” Isso era o que me motivava, mal sabia eu que essa tal liberdade viria de um custo alto, o custo da solidão.

Quando conseguimos sair de casa vêm mil pensamentos em nossa mente, mas o que estala mais forte é sem dúvida liberdade. Pensamos que por não ter que prestar conta aos nossos pais de nossas  ações, então seremos verdadeiramente livres, mas isso é uma verdadeira mentira.

O fato de sair de casa não melhora em nada seus problemas, por exemplo, você não pode viver uma vida de libertinagem, pois tem o aluguel para pagar no final do mês, não pode passar a virar a noite em farras, pois tem que trabalhar no outro dia bem cedo, não pode chegar a hora que quiser em casa, pois a violência é grande e você corre o risco de ser assaltado ou algo pior. Então você acorda e percebe que aquilo que foi motivo de várias brigas com seus pais, discussões agressivas e longas, era na verdade a forma que eles tinham de te passar que já tinham vivenciado aquilo e que sabiam essa tal liberdade não te traria nenhum benefício, apenas mais responsabilidades.

Lembro-me como era bom chegar do serviço depois de um longo dia e ver minha mãe na cozinha preparando o jantar, além disso, eu era sempre recepcionado com um abraço caloroso e com sua velha pergunta:

– Como foi no serviço meu filho?

– Ótimo Mãe, o que tem para o jantar?

– Arroz, feijão, bife e batata frita. Mas vamos esperar o Eder para jantar.

Meus pais haviam se separado quando eu ainda tinha 06 meses de vida e minha mãe tinha se casado novamente um pouco depois de eu completar 04 anos. Sendo assim Eder tinha me criado como filho, com ele aprendi a andar de bicicleta, jogar bola, soltar pipa, era ele quem buscava meu boletim no colégio, foi um verdadeiro pai para mim, embora eu não o chame assim pessoalmente, sempre quando me refiro a ele para alguém uso a palavra pai para que as pessoas saibam o que ele significa para mim, e quando tenho que falar do meu outro pai, a este me refiro como meu “Pai Biológico”.

Eder me ensinou valores que até hoje caminham comigo lado a lado, como ser um verdadeiro homem e assumir seus atos, fui um adolescente muito irresponsável e confesso que dei certo trabalho aos meus pais, principalmente ao Eder, mas apesar de broncas severas e palavras difíceis de ouvir hoje eu vejo que cada vez que ele engrossou a voz para mim fizeram com que eu me transformasse no homem que sou.

Meu pai era vendedor e tinha muito orgulho da sua profissão, nunca gostou de receber elogios, mas ele era o responsável por 60% das vendas na empresa em que trabalhava, todos queriam andar com ele, pegar os macetes era o vendedor mais requisitado, fazia coisas  que ninguém mais conseguia fazer, trabalhava num setor só seu e vez por outra a empresa trocava ele de setor para que pudesse alavancar as vendas de uma área que estivesse vendendo pouco.

Essa empresa tinha tentado por diversas vezes promover meu pai para supervisor de vendas, todas sem sucesso. Meu pai ganhava muito mais do que o próprio gerente da empresa e acreditava que se  fosse promovido a supervisor seria apenas por status uma vez que seu salário seria reduzido drasticamente.

Morávamos numa casa que tinha o portão todo fechado, por isso quando meu pai chegava o código para que pudéssemos abrir o portão eram dois toques de leve na buzina, mas quase nunca isso se fazia necessário pois na época tínhamos uma cadelinha da raça Pinscher que se chamava Lita, ela era muito esperta e atenciosa, conhecia o barulho do carro do meu pai antes mesmo dele virar a esquina de casa, quando ouvia o barulho do motor ela já saía correndo desesperada e latia tentando enfiar a cabeça na pequena fresta do portão e só parava de latir quando ouvia o famoso toque na buzina.

Ao abrir o portão meu pai tinha que abrir a porta do lado do motorista para que a Lita pudesse entrar e se acomodar no colo dele, isso acontecia todos os dias, depois disso ele brincava acelerando o carro e freando em minha direção e se divertia com os pulos que eu dava para trás tentando escapar do carro.

A minha mãe vinha da cozinha muitas vezes com alguma colher ou garfo na mão, mas ela fazia questão de vir até a porta para dar um beijo nele e expressar naquele momento toda a saudade que ela sentia dele. Minha mãe era uma mulher muito inteligente, quando jovem ela tinha feito o magistério, estudado inglês e francês, havia sido funcionária pública, era dona de um incrível talento na cozinha tudo que ela fazia ficava muito bom e todos elogiavam o seu tempero, não foram raras às vezes em que recebíamos visita que durante as refeições expressavam grandes elogios a culinária da minha mãe.

Sua especialidade estava em fazer pratos típicos de Minas, nossas raízes estão em Minas e Goiás então aos finais de semana minha mãe sempre cozinhava algo como frango caipira com pequi ou feijão tropeiro, angu com couve, torresmo, arroz feito na banha de porco, eram muitas as opções, mas tudo era feito realmente com muito amor

Foram muitas as insistências por parte de amigos para que ela pudesse abrir um restaurante, já tinham até escolhido o nome Sofia Grill, mas minha mãe amava cozinhar, só que nunca esteve nos planos dela fazer disso uma profissão. Em suma éramos uma família feliz, viajávamos sempre que possível, passávamos horas juntos aos finais de semana, conversávamos sempre antes de comprar algo novo para casa, por mais que eu fosse jovem e imaturo, meus pais sempre me consultavam sobre uma possível troca de carro, ou sobre o que seria o almoço de fim de semana ou onde iríamos passar as férias.

O bom disso tudo era poder me sentir importante, participar nas decisões da família faziam com que eu me sentisse um pouco mais  homem, talvez essa fosse a ideia dos meus pais também ao pedirem minha opinião em determinadas coisas, eles sempre tiveram um desejo intenso que eu me desse bem na vida e que fosse bem sucedido em minhas ações.

Em 2006, mas precisamente no dia 06/06/2006 eu comecei a namorar, ela se chamava Gabrielle, mas todos costumavam a chamar de Gaby. Era uma menina muito doce, educada, tímida e carinhosa. Minha família se apaixonou pela Gaby logo de cara, esse jeitinho tímido dela cativava a qualquer pessoa, ela e eu frequentávamos a
mesma igreja embora fossem em cidades diferentes, mas tínhamos nos conhecido três anos antes, namoramos por um curto tempo ficamos aproximadamente dois anos sem nos falar por alguns conflitos no relacionamento e por mais incrível que possa parecer voltamos a nos falar uma semana antes de começar a namorar em
2006. Gabrielle era uma moça de estatura mediana, tinha longos cabelos castanhos liso em sua raiz e ondulado nas pontas tinha um corpo muito bonito, era branquinha e quando ficava com vergonha por qualquer motivo era possível ver sua face corada, era uma menina muito risonha, ela ria até da própria risada. Vez por outra ela ia almoçar em minha casa num fim de semana e quase sempre meus
pais a deixavam em casa, a família dela tinha muito respeito e confiança em mim, acredito que por eu ter sido o único namorado dela que teve a coragem de ir até os pais e pedir a mão dela em namoro, falei dos meus planos e dos meus sentimentos, prometi que iria cuidar dela e respeitá-la. Durante algum tempo fomos um casal feliz, beijos ardentes, abraços calorosos, conversas, cochichos, passeios fizemos coisas incríveis juntos, quando completamos quatro meses de namoro mandei fazer uma torta de morango como ela amava e escrever a frase “Eu te amo meu amor”. Além disso, comprei uma daquelas velas em formato de número e que mesmo depois que você soprar ela reacende, ela ficou maravilhada com aquilo e chegou a chorar dizendo que ninguém nunca havia demonstrado tanto amor por ela antes e que nenhum de seus namorados anteriores tinha se quer feito algo parecido. Éramos um casal espelho para os outros, pessoas vinham nos pedir conselhos e sempre que possível orientávamos pelas nossas próprias experiências.

Eu sentia que existia certa inveja de algumas pessoas também, existem pessoas que são infelizes e não aceitam ver a felicidade dos outros, então fazem o que está ao seu alcance para tentar destruir sua felicidade também, eu e a Gaby enfrentamos muito isso, pessoas que inventavam histórias minhas para ela e dela para mim, nunca deixei me influenciar por essas coisas, mas ela infelizmente sim e isso foi pouco a pouco destruindo o que eu sentia por ela, o fato dela não acreditar em mim, não confiar em mim e por hora sem motivos me impugnar culpas que eu até então não tinha foi rompendo o laço que tínhamos de amizade, confiança e companheirismo, talvez isso fosses o que deu inicio a toda essa história dos 90 dias.

Enquanto “90 DIAS” não termina de ser escrito, que tal acompanhar meus outros livros? Basta clicar no botão abaixo para ser redirecionado para a página onde poderá escolher outros livros para ler. Caso algum seja do seu agrado, basta clicar na capa para iniciar a leitura.

Deixe seu comentário